A CIDADE DOS ETEREOS

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A CIDADE DOS ETEREOS

Postado em 09/09/21 : 12:09:41

As coisas não acabaram muito bem para as crianças peculiares no último livro. Após os eventos mostrados em O Orfanato da Senhora Peregrine para crianças peculiares, muita coisa mudou na vida de Jacobi e também das próprias crianças do orfanato.

 

O ORFANATO DA SRTA. PEREGRINE PARA CRIANÇAS PECULIARES

 

Antes de ler esse livro ouvi comentários comparando a história com os X-Men. Mas ao ler constatei que essa comparação talvez tenha sido uma jogada de marketing desnecessária, uma vez que a história tem um foco diferente e desenvolvimento totalmente diferentemente do da equipe mutante. A começar pelos elementos retrô que preenchem a história.

 

Jacobi venerava o avô quando criança, que lhe contava suas histórias no tempo em que lutou na Segunda Guerra Mundial e também de como ele enfrentava monstros e possuía vários amigos com poderes especiais na sua infância. Uma garota que conseguiu levitar, um rapaz capaz de levantar rochas com apenas uma mão, outro que tinha o corpo coberto por abelhas e que segundo seu avô, saíam da própria boca do garoto.

Romance por Ransom Riggs

Isso deixava Jacobi extasiado, ainda mais quando os relatos eram acompanhados por fotografias em preto e branco dessas crianças, como a do garoto invisível, entre outras. Uma das fotos, em especial, lhe chamava a atenção. Era de uma senhora fumando cachimbo, que seria a dona de um orfanato onde essas crianças especiais ficaram no tempo da guerra.

 

Com o passar do tempo as histórias foram perdendo o impacto, e desencorajado pelos pais do garoto, essas histórias cessaram. Seu avô sempre foi tratado como um sonhador e por vezes em um louco, mas o carinho de avô e neto era mantido, mesmo com Jacobi não acreditando mais em velhas histórias fantásticas e tendo certeza que as velhas fotos eram retocadas mal e parcamente com efeitos da época.

 

Quando seu avô lhe liga pedindo ajuda para conseguir enfrentar um monstro, Jacobi não lhe dá muito crédito e vai visitá-lo apenas para impedir que o vovô louco se machuque. Mas infelizmente o encontra morto, e o pior,  consegue ver o tal monstro. Sendo levado a psiquiatras e enfrentado vários problemas emocionais, ele decide ir com o pai a tal ilha onde se encontrava o antigo orfanato para poder tirar de sua mente essas histórias e lembranças, confirmando que não há nada de especial nos relatos de seu avô.

 

Chegando à ilha ele consegue encontrar a casa em estado lastimável, totalmente em abandono e a população lhe confirma que todas as crianças órfãs morreram em um bombardeio alemão em 1945.

 

Já se acostumando com a ideia de que tudo que virá não passará de armadilhas de sua imaginação, ele tem um encontro inesperado com uma garota que consegue soltar fogo pelas mãos. Levado por ela até o pântano que ficava perto do decadente orfanato, ela o encaminha a um local onde ele podia enfim descobrir a verdade. Acaba conhecendo a Srta. Peregrine que cuida de todas as crianças com poderes, que ela chama de peculiares, que além de estarem vivas, não mudaram nada nessas últimas décadas.

Romance do autor norte-americano Ransom Riggs

O autor Ranson Riggs mistura sua narrativa com fotos de época, que até ajudam a dar um ar ao mesmo tempo nostálgico e amedrontador ao livro. Algumas fotos tem certo aspecto assustador, outras nem tanto, que segundo o autor foram conseguidas com colecionadores que as consideravam (e atestam) serem reais. 

 

A leitura flui, tem momentos que você não quer parar de ler e em algumas partes, quando na história alguma foto é citada, você já fica esperando a imagem da foto aparecer e te ajudar na visualização da cena em sua mente. Tem alguns momentos didáticos, como a explicação do que são as crianças peculiares e como eles conseguem se esconder numa fenda temporal, mas isso não atrapalha em nada o desenrolar da trama, apenas nos ajuda a entender os acontecimentos, ainda mais quando queremos chegar logo na resolução dos vários mistérios, como: Quem matou o avô de Jacobi?

 

O que era aquele ser que ele viu na cena do crime? Como as crianças não envelhecem? E talvez a maior pergunta de todas: Por que ele está lá? Um filme está sendo dirigido por Tim Burton, e pelas imagens que rolam na internet dá para perceber que haverá algumas modificações. Tomara que ele não arruíne o livro como ele fez em Alice no País das Maravilhas. Aí sim teríamos uma cópia de X-Men.

 

Nada seria como antes. Talvez seja essa a principal referência que o escritor Ranson Riggs queira passar ao leitor. Uma sensação de comodismo finalizada por eventos alheios à sua vontade que te faz sair de sua zona de conforto e buscar algo melhor.  Os estúdios Pixar fazem isso com quase todos os seus filmes. Mas nos casos das crianças peculiares, Ranson Riggs não dá descanso para as crianças no segundo volume das desventuras dessa trupe.

Livro a cidade dos etéreos

Em A cidade dos Etéreos o leitor também é convidado a sair de sua zona de conforto, entrando de cabeça numa aventura que envolve busca e perseguição. Enquanto no primeiro livro conhecemos toda a história dos peculiares (ou quase toda), e nos envolvemos com seus problemas com os Etéreos, que os caçam incansavelmente, os fazendo se esconder por décadas em fendas no tempo, que se repete diariamente, em alguns casos séculos.

 

Dessa vez os desgarrados da Senhora Peregrine, presa na forma alada sem conseguir voltar a forma humana, precisam encontrar outras fendas para tentar encontrar alguma outra tutora (peculiares com grande poder como a Senhora Peregrine, chamadas de Ymbryne) e reverter a transformação. Mas andar no mundo real, em tempo de segunda guerra mundial, onde bombas são despejadas aos montes na Inglaterra, e Londres demonstra ser tão perigosa quanto os Etéreos, que os perseguem sentindo a vibração de seus poderes.

 

Isso acaba os impedindo de utilizar os poderes, além de evitar serem observados pelas pessoas que lotam a cidade, cheia de refugiados.

A cidade dos etéreos livro

Jacobi já está mais habituado ao mundo dos peculiares, pelo menos mais que no primeiro livro. Aqui ele já é tratado como um integrante do grupo, com sua capacidade de ver Etéreos, que para os demais são invisíveis. Ele também está trabalhando esse dom, uma vez que ele também sente os Etéreos à distância, como se fosse uma bússola, mas com grande angústia e dores.

 

Mas em sua busca ele terá a ajuda dos amigos peculiares, como o garoto invisível Millard, com grande experiência nos assuntos do mundo dos peculiares e sei mapa de fendas. Emma continua sendo uma líder natural, mesmo que ela não queira esse posto. Em muitos momentos ela tem que se segurar para não utilizar seus poderes flamejantes. Sua relação com Jacobi toma rumos decisivos nessa parte, que pode definir o futuro tanto do garoto quanto dos próprios peculiares.

 

Outros personagens tem sua importância ressaltada nessa segunda parte. Hugh demonstra seus poderes com abelhas, se tornando um valoroso integrante no grupo e Clare, que consegue flutuar, dá o tom crítico da situação difícil que se encontram. Dá para sentir seu esforço para manter a serenidade e manter a razão, mas não é apenas seu corpo que ela não consegue manter no chão, mas sua estabilidade psicológica vai ficando instável.

 

Podem parecer pessoas velhas em corpo de criança, mas o que conta para esses peculiares são as experiências que tiveram na vida, como todos nós, e a experiência deles foram preservadas na juventude. Enoch parece ser o peculiar do contra, com seu humor negro e indiferença com a vida humana, em especial com as pessoas da década de 40, que segundo ele já tiveram o destino de sua vida delineado, sem chances de ser alterado com ajuda ou caridade.

Livro de prateleira

Pode parecer duro e em muitas passagens inconveniente, mas é ele que dá o tom do humor à história e não tem como não gostar de suas tiradas desconcertantes e mofo de pensar também peculiar. Os demais personagens também têm seus momentos surpreendentes, como Horace, que utiliza seu dom de ver o futuro para tirá-los de enrascadas.

 

A história é cheia de urgência, pois eles têm que correr contra o tempo para salvar a Senhora Peregrine, que corre o risco de ficar como uma ave para sempre. O autor nos faz entrar no mundo dos ciganos, no circo de horrores, nos refúgios de bombardeios, nazismo e viagens no tempo entre fendas de diversas épocas da história.

 

Muitos personagens novos irão ficar em nossas cabeças, e iremos torcer para encontrá-los no terceiro volume. Nesse período ficamos sabendo mais dos Etéreos e de seus planos para conquistar o mundo, sendo que muitos atos estranhos cometidos no primeiro livro são explicados.

 

O filme dirigido por Tim Burton teve algumas comparações com o X-MEN e o próprio livro teve esses comentários na internet, mas o clima é totalmente diferente, e em nenhum momento os peculiares agem como uma equipe de heróis, e vão descobrindo sua coragem nos momentos de dificuldade, sem treino e atrapalhados.

 

Mas isso não tira o heroísmo dos jovens, e sim dá um caráter humano aos seus atos. As fotos continuam sem prender a narrativa às suas necessidades de explicação ou de situá-las em algum momento da história. Daí tudo é natural, bem diferente dos protagonistas e vilões do livro.